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Lektronik | May 18, 2013

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Nós brincamos com o Wii U (e nos divertimos)

Nós brincamos com o Wii U (e nos divertimos)

Apesar de estar recheada de títulos que prometem ser impressionantes, novos consoles sempre acabam chamando mais a atenção durante uma E3. A bola da vez foi o Wii U, sucessor do Wii, da Nintendo. Como seu lançamento ainda está muito distante, não havia na feira jogos disponíveis para teste. O que tínhamos eram algumas demos, que serviam principalmente para mostrar o funcionamento do controle da nova plataforma (mas algumas delas podem vir a ser comercializadas futuramente).

Mas, antes de falarmos sobre o que jogamos, vamos rever o que nós sabemos até agora sobre o console. O grande diferencial do Wii U é seu controle, que possui uma tela na parte central. O visor tem uma ótima nitidez e responde a comandos de toque, sendo que é capaz de ler apenas um toque por vez (diferente do iPhone e iPad, que são multitoque). Além disso, o controle tem também um acelerômetro, giroscópio, uma câmera na parte frontal e um sensor igual ao do Wii, permitindo que Wii Remotes sejam utilizados diretamente nele (apesar de que a Nintendo não estava falando sobre como exatamente isso se dará). Além disso, ele possui botões distribuídos de uma maneira, digamos, mais tradicional, o que possibilitará que jogos multiplataforma não precisem receber estranhas e indesejadas adaptações quando aparecerem no Wii U, como comandos que são substituídos por chacoalhadas. O controle possui um direcional, dois analógicos, botões A/B/X/Y na parte frontal, L/R na parte superior e ZL/ZR na parte traseira.

Nem todos os aspectos técnicos do Wii U ainda não são conhecidos, mas, devido ao anúncio de títulos como Darsiders II e Ghost Recon Future Soldier, é possível inferir que o console é, no mínimo, tão poderoso quanto um PlayStation 3 e um Xbox 360. Nós sabemos com certeza que ele produzirá imagens em 1080p, 1080i, 720p, 480p e 480i. Há um burburinho ocorrendo que afirma que as capacidades do Wii U seriam ainda maiores do que as das plataformas da Sony e da Microsoft. No entanto, em uma entrevista conduzida pela Gamespot, Miyamoto disse que o console não irá necessariamente ter uma performance muito maior do que a competição.

Enquanto o novo controle é o chamativo do Wii U, Wii Remotes deverão ser um periférico importante no uso do console. Ao menos, nas demonstrações presentes eles eram necessários para partidas multiplayer. Na verdade, os jogos em questão funcionavam em torno do fato de um dos jogadores possuir uma tela exclusiva, mas falarei mais sobre isso em breve. É válido lembrar que há uma história circulando que afirma que o Wii U pode fazer uso apenas de um controle com visor por vez. Eu perguntei sobre isso tanto a Mark Whentley (gerente de marketing da Nintendo na América Latina) como a alguns representantes que estavam no local e nenhum deles confirmou o fato. Tudo que me disseram foi “neste momento, a Nintendo está demonstrando a funcionalidade do console apenas com um controle”. Uma resposta evasiva; não é nem uma confirmação e nem uma negação do rumor.

Um dos principais pontos usados para caracterizar o Wii U é a possibilidade de continuar jogando na tela do controle, mesmo que uma outra pessoa queira assistir tv. E enquanto o visor em nossas mãos é de boa qualidade e serve tranquilamente para dar continuidade à jogatina, essa função não é um pré-requisito aos jogos do Wii U.

É claro que essa característica não poderia aparecer em jogos multiplayer que envolvam o Wii Remote, mas é uma boa notícia que esse aspecto não seja de aplicação obrigatória em títulos que foquem no componente solo. Exemplos da razão disso puderam ser vistos na própria conferência da Nintendo, em uma demonstração na qual os menus estavam todos no controle e o conteúdo da televisão estava completamente livre de qualquer UI. Mark Wentley me disse que a Nintendo não está impondo nenhum tipo de regra sobre como os estúdios devem utilizar a nova tecnologia.

O console é compatível com títulos de Wii, mas não de Gamecube. Ele também não rodará DVDs e Blu-Rays, e os discos de jogos terão um formato proprietário (sem nada ter sido dito sobre sua capacidade). Quanto ao armazenamento, serão aceitos cartões SD e HDs acoplados via entrada USB. Por último, com o Wii U a Nintendo (finalmente) abandonou os friend codes, e irá utilizar contas e nomes de usuários para a parte online.

As Demos

Os representantes da Nintendo queriam deixar claro que as demos presentes, como Chase Mii e Battle Mii, visavam apresentar as funções do controle do Wii U, e não suas capacidades gráficas. Chase Mii é um pega-pega, no qual a pessoa usando o controle com visor deve escapar das outras quatro usando Wii Remotes. O que acontece é que a tela do controle mostra o mapa inteiro visto de cima, permitindo que o jogador saiba a posição de todos os oponentes. Os outros quatro, por sua vez, conseguem ver apenas aquilo que está à frente de seu Mii. A única maneira que eles tem de saber se estão próximos de quem querem capturar é um indicador, que mostra o quão distantes estão de seu alvo (mas sem saberem em qual direção ele se encontra). O melhor recurso para que os quatro jogadores com Wii Remotes consigam cumprir seu objetivo é trocarem informações sobre onde acham que a pessoa com o controle do Wii U está. Isso foi feito de maneira bastante enfática durante a demonstração, com os representantes da Nintendo berrando uns para os outros coisas como “ele está no amarelo! Na parte de cima!” enquanto procuravam por mim. Chase Mii segue bem a veia daquilo existente em Wii Sports; não há nenhuma complexidade ou profundidade na jogabilidade, mas em sua simplicidade ela consegue ser extremamente divertida.

Battle Mii era um jogo de tiro em terceira pessoa, no qual os Miis controlados por jogadores com Wii Remotes estão vestidos como Samus Aran. Seu objetivo é derrotar a pessoa em posse do controle do Wii U, que pilota uma nave nos moldes da pertencente à caçadora de recompensas. A vantagem de quem está nesta posição é poder voar livremente por todo o cenário, além de ter o dobro de energia dos outros participantes. Battle Mii não é tão divertido quanto Chase Mii, mas ele demonstra bem o funcionamento do acelerômetro e do giroscópio do controle.

Shield Pose é um jogo de ritmo, no qual o controle é utilizado como um escudo que deve ser direcionado contra flechas que vem em nossa direção. A parte do ritmo entra em cena devido ao fato de que é necessário posicionar o controle em momentos específicos, seguindo uma batida que muda periodicamente de tempo. As flechas vêm tanto dos lados quanto de cima, então é preciso realmente levar o controle para todas as direções. Enquanto eu tentava pegar o jeito da coisa, batendo o pé e mexendo a cabeça para conseguir acompanhar a batida, a moça que estava guiando a demonstração perguntou de minha nacionalidade. Ao descobrir que eu era brasileiro exclamou “por isso que você tem ritmo!”, o que fez com que essa fosse a primeira – e imagino a última –  vez que alguém tenha me dito isso.

As outras duas demos que vi não eram jogáveis, servindo para evidenciarem as capacidades gráficas do Wii U. Uma era a mesma apresentada durante a conferência da Nintendo, chamada de Japanese Garden, envolvendo um cenário japonês, carpas e pássaros. A qualquer momento era possível pressionar um botão e movimentar o controle para olhar para os lados, para cima e para baixo. Na segunda demo, intitulada de HD Experience, Link aventurava-se em um calabouço quando era emboscado por uma aranha gigante, que lembrava um pouco o primeiro chefe de Ocarina of Time. Aqui era possível usar a tela de toque para alterar a posição  da câmera, alternar ente dia e noite (mudando assim os efeitos de luz do local) e transferir as imagens da televisão para o controle (mostrando a velocidade com a qual isso pode ser feito e a qualidade do visor). Essas duas demos estavam rodando em alta definição e definitivamente tinham gráficos tão belos quanto a títulos que vemos rodando no PlayStation 3 e Xbox 360. No entanto, como não se tratava de algo jogável é difícil traçar qualquer comparativo mais certo.

Eu gostei do que vi do Wii U. Eu não me surpreenderia se ao menos Chase Mii acabasse aparecendo em uma compilação de minigames, inclusa com o console quando ele for lançado, pois o jogo é realmente divertido. E independente de capacidades gráficas, de processamento etc, a ideia do controle me agradou bastante, pois as possibilidades que ele oferece parecem variadas (eu não consigo parar de imaginar sobre as aplicações que ele pode ter em um novo Metroid Prime). Principalmente, devido à disposição dos botões, jogos tradicionais podem aparecer tranquilamente no Wii U, sem que estranhas precisem ser impostas. Ainda falta um bom tempo até que o console chegue às lojas (nem há ainda uma data definida), mas eu estou ansioso por ver o que está sendo preparado para ele.

Comments

  1. Cheetara (ou Mario)

    Heitor, você tem ritmo!

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