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Lektronik | May 25, 2013

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11 Comments

Amor, desilusão e GameCube

Amor, desilusão e GameCube
Lektronik

por Rafael Studart

Ar condicionado, cama confortável e um videogame. Não existe forma melhor de se passar um verão, diria o meu eu de 89. MSX foi o meu primeiro vício, passando pelas areias movediças de Pitfall e o joguinho do ladrão de supermercado, que hoje em dia o nome me falta.

“Vou falar aqui é sobre amor e desilusão.”


Várias gerações de controles passaram por minhas mãos, do remoto ao joystick. Claro que ser filho de um dono de locadora de videogames ajudava. Mas quem mandou ele perguntar pra um moleque de 10 anos onde deveria investir o dinheiro do fundo de garantia dele? Essa foi a história de como me tornei popular por alguns meses no meu prédio. Mas não vou falar sobre isso. Vou falar aqui é sobre amor e desilusão.

Fanboyerismos a parte, descobri que era mais ligado na Nintendo desde cedo. E sempre cuidei muito bem dos meus videogames. A ponto de guardar até o saquinho plástico das minhas fitas do 64. Cada Zelda, Goldeneye e afins foram conquistados com o sacrifício de muitos natais, aniversários e dias das crianças. Só com 18 é que pude começar a trabalhar pra bancar o meu vício.

Meu 64 tinha poucas, mas boas fitas para acompanhá-lo. Fitas que me trazem uma sensação saudosista, agora que me lembro. Porém, prometi pra mim mesmo que com o GameCube não deixaria isso acontecer. Compraria tudo de bom que houvesse com o pouco dinheiro que ganhasse. E assim o fiz! Cheguei a repetir a dose com o Nintendo Wii. Comprei de controles coloridos a balanças sem sentido, passando por guitarras e bongôs. Porém, quando vi, estava me tornando um pai ausente. Minha diversão tinha passado a ser mais o comprar do que o jogar, porque não tinha mais tempo para isso, já que precisava ganhar o dinheiro para comprar. Ironia S.A.

“O que me confortava era justamente saber que a coleção estaria em boas mãos.”

Passei por alguns dos cinco estágios do luto. Minha negação, por exemplo, durou uns 3 anos. Custei a aceitar o fato. Foi só em 2011 que resolvi que era hora da minha coleção encontrar espaço no rack de outro fã da Nintendo. Mas não consegui abandonar tudo de uma vez. Fui me desfazendo aos poucos. Cada venda, um aperto no peito. O que me confortava era justamente saber que a coleção estaria em boas mãos. O 64, saudoso e companheiro do meu ensino médio, foi pra um amazonense viciado em Goldeneye! O Cubo para uma menina, aqui do Rio mesmo. Fiquei muito feliz porque ela disse que adorava e que não via a hora de jogar todos os 54 jogos da coleção. Estava indo pelo caminho certo. E satisfeito com as minhas vendas e decisões.

A coleção do Wii, justamente a com o maior número de acessórios e jogos, foi a que menos me deixou mal. Talvez por ter sido a que eu menos aproveitei. Comecei a me desfazer aos poucos, primeiro vendendo vários acessórios, depois os jogos, e agora o console com alguns acessórios e jogos restantes. Achava que minha história com os videogames terminaria aqui e estava feliz com ela assim…

- Faala, Studart! Aí, vambora pra Búzios hoje de madrugada! – mandou o Ronald Rios.

- Como assim!? – respondi.

“Quer dizer que o GameCube não tá repousando sossegado na mesa de algum viciado?”

Pra encurtar a história, fui pra casa dos pais do Nigel Goodman em Búzios com o Ronald e respectivos cônjuges. Quando estava na piscina, comecei a contar essa história que vocês acabaram de ler, espero eu, caso contrário vocês pularam uma parte cheia de guerras urbanas e estupro.

- Você vendeu pra uma menina aqui do Rio o seu GameCube? – perguntou o Nigel.

- Isso! A gente marcou no Shopping Tijuca. Ela foi com o namorado. – respondi.

- Namorado? – Nigel perguntou e em seguida chamou a namorada e trocou algumas palavras com ela.

- É esse cara aqui? – Nigel perguntou, me mostrando uma foto num celular.

- Peraí… uhm… acho que… sim. SIM! É ele mesmo! Que foto é essa? – perguntei.

- Esse é o irmão da minha namorada. Em 2009 ele queria comprar um GameCube. Comprou um usado, mas acabou revendendo porque precisava da grana. Só que ele ganhou um dinheiro em cima. Nisso percebeu que dava pra ganhar dinheiro só comprando e vendendo GameCubes usados no Mercado Livre. Ele tá com uma grana boa hoje em dia por conta disso. Fica vendo o pessoal mais desesperado que quer vender pacotes e coleções gigantescas, vai lá, compra tudo e depois revende individualmente. O cara tem tempo, então não é um problema. – explicou o Nigel, enquanto ouvia a tudo atônito.

- Quer dizer que não vendi pra um fã da Nintendo? Quer dizer que o GameCube não tá repousando sossegado na mesa de algum viciado? – perguntei desanimado.

- Não! Provavelmente ele já revendeu o seu GameCube que agora está na mão de alguma criança cujo pai não tinha dinheiro pra bancar o PlayStation 3. A criança provavelmente ficou puta e já deve ter quebrado o seu videogame. – respondeu o Nigel.

- Sério? – perguntei desapontado.

- Tô zoando. A criança não deve ter quebrado… ainda.

Agora sim. Essa é a minha história com os videogames. Depois que soube disso fiquei mais cínico e 75% mais ateu. Aliás, se alguém quiser comprar o pouco que me resta, é só clicar aqui.

Agora com licença que vou jogar Draw Something.

-

Rafael Studart é professor de física, trabalha com informática, atua em séries do Multishow (Os Buchas, Os Gozadores), roteiriza, faz stand-up, sonha em ser espião e torce pra um dia se decidir por apenas uma dessas coisas.

 

[Foto: fotolog.com.br/elitegamer]

Foto meramente ilustrativa, a gente não SABE se esse é o Gamecube que o Studart vendeu… Mas pode bem ser.

-

 

Comments

  1. carlos

    eu sempre desejei ter um game cube, sempre gostei mais dele do que o ps2, mas como a minha idosa mãe é contra esses joguinhos eletrônicos, portanto tive que trabalhar, anos depois para comprar meu sonhado wii e jogar os meus joguinhos de ambas plataformas… mas com o tempo percebi que a nintendo não era mais a minha praia e aqueles joguinhos não me faziam mais feliz, e então voltei a trabalhar e adquiri meu ps3 que sou feliz com ele neste dado momento.

  2. DJ Tiago fazendo a festa

    Nunca ouvi falar desse GameCubo

  3. Só quem teve sabe o que é o amor e a dor

  4. Coincidência, ou não, justo ontem há noite vendi o final de Wii que eu tenho. Só espero que não seja alguém querendo dar o golpe, pq em março tinha vendido, mas no final era só um vendedor concorrente querendo tirar o meu Wii do MercadoLivre.

    • Só pra constar que o “há” do “à noite” estava errado. Digitei com emoção e nem reparei.

      • Só pra constar – parte II, o vendedor clicou em COMPRAR por engano. Ainda estou vendendo o meu Wii se alguém quiser.

  5. Uma história de amor incondicional
    Trilha sonora pode ser Adele , ta na moda né
    Como diria meu avó
    “Pq tudo tem um fim !”
    E minha felicidade se foi conforme a historinha famosa das músicas no qual ela se retrata… Mas nao vai achando que é por causa do tal cara q esta história de amor se fez incondicional …. E sim pq com o termino do namoro perdi meus futuros sábados divertidos que não terei mais jogando Nintendo 64 , pode dizer que mulheres sao todas iguais e que acima de tudo tem seus interesse , e sim sofremos mais pelas perdas,sofremos mais com tudo… E o simples fato ter perdido um super Nintendo 64 tudo que me restou foi apenas uma manet , realmente é comovente a história do Rafael Studart me fez lembrar os bons momentos que estive zerando as fases de Mário !

    • Sei como é isso… terminei meu relacionamento tb… acho que foi uma soma de tudo!

  6. Lucas

    Vc sabe dos sentimentos né

  7. Flavia Mibielli Ferreira

    Eu tive aula de Física com você no Palas!!!!!!!!!!!!!!!! rs

  8. Lucas Soares

    Tenho meu gamecube preto modelo dol-002 desbloqueado e recentemente tomei coragem e fiz o sd no slot b e não comprei midia e não vendo pois jogo muito snes e genesis pois é bom lembrar do passado principalmente os amigos e tenho ainda um n64 com 25 fitas originais não é uma coleção mas este tipo de material é muito valioso para ser vendido. Lembranças valem mais que qualquer quantia. Não sei porque nunca gostei desses jogos novos com bons graficos tive um ps3 e um xbox 360 vendi os dois por falta de uso não gostei pois não tinha um desafio que nem era um mario world ou doom.

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